No começo dos 60 , a juventude brasileira começa a dividir-se com relação ao rock, e Salvador vive um momento pitoresco; a formação de dois grupos de jovens, com características completamente distintas: o pessoal que frequentava o Teatro Vila Velha e o pessoal do Cinema Roma, todos - então - figuras ilustres desconhecidas.

O pessoal do Teatro Vila Velha acreditava que a penetração do rock , um ritmo estrangeiro, ameaçaria a identidade de cultura brasileira. Discutiam política e cultura ; curtiam bossa-nova. Entre os frequentadores figuravam Caetano Veloso, Gilberto Gil , Tom Zé & Cia.

No Cinema Roma estavam os "alienados" que curtiam rock'n'roll e o colocavam acima de qualquer visão ideológica. Queriam viver e reformar comportamental que transforma simultaneamente o mundo inteiro. Lá estavam Rauzlto , Waldir Serrão e se apresentavam os panteras.

Em meio ao quebra-pau estavam surgindo dois grandes troncos da música brasileiro , o do Rock Visceral e o da Tropicália.

"Nessa época a Bossa Nova estava arretada em Salvador. E era uma guerra. De um lado o Teatro Vila Velha , de outro o Cinema Roma, que era o templo do rock , organizado por Waldir Serrão. A bossa nova significava ser nacionalista , brasileiro , eu me lembro perfeitamente. Gostar de rock era ser reacionário, entreguista, americanista. E eu era o chefe do Rock em Salvador ... Tanto que quando entrei na Falculdade de Direito eu era superpichado pelo pessoal do diretório e olhado como o idiota do Rock, entreguista... E eu não gostava de Bossa Nova. Tinha ódio de bossa nova. Não conseguia tocar, não sabia aquelas drogas daqueles acordes dissonantes e era chato pra mim. "Barquinho"... "Upa Neguinho"... aquelas coisas assim... tão fora dele porque ele cantava baixinho, mas não gostava daquelas letras dele, não. Eu não me ligava na cultura musical brasileira. Mesmo tocando , era como um 'feeling' de blues". Esclareceu Raul Seixas à jornalista Ana Maria Bahiana. Deve-se ressaltar que Raul só livrou a cara de João Gilberto, tendo inclusive toda a coleção de cantor autografada em sua casa. Se ele ouvia ou não, isso ninguém sabe afirmar. Numa entrevista ao Pasquim, Raul afirma que ouvia João Gilberto , "eu gostava muito" . E , na mesma entrevista , fala do conflito entre o grupo de rock e o grupo da Bossa Nova, onde "um olhava o outro com... sabe? , meio esquisito" e finaliza "Desde o tempo da Tropicália que agente começou a ver que o que todo mundo queria era a mesma coisa."

"Era uma coisa bem separada mesmo. Existia um conjunto lá, a orquestra de Carlito, com Caetano e Gil (Teatro Vila Velha). E existiam os Panteras (o grupo de rock do Cinema Roma). Duas coisas completamente diversas, mas , no fundo , eu acho que tava todo mundo querendo chegar a mesma coisa, era só problema de linguagem." - (entrevista ao Pasquim - Novembro de 1973)

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