Quando Raulzito subiu ao palco do FIC, cantou que não tinha ido alo para provar nada e não tinha nada pra dizer também; só foi cantar seu rockzinho antigo que nao tinha perigo de assustar ninguem. Seu problema com os "federais" da coxia foi sempre por causa do tal "juri anarquista". Mas se o V de verde é o V de verdade ; dois e dois são cinco, não é mais quartro não.

Ele voltou cantando seu "Ouro de tolo", dizendo que passou fome por dois anos na cidade maravilhosa. Que devia estar alegre e satisfeito porque tinha um emprego e era um dito cidadão respeitavel e ganhava quartro mil cruzeiros por mês. Mas do que é que esse cara , que conseguiu sucesso na vida como artista , tem um carrão 73 e mora em Ipanema está reclamando? Com que é que ele está decepcionado ?

Raul achava tudo isso um saco e decidiu usar mais que 10% de sua cabeça-animal . Não queria mais se olhar no espelho , sentir-se um grandississimo idiota e saber que era humano , ridiculo e limitado. Decidiu ser a mosca na sopa do Monstro Sist e deu corda no boneco. Esqueceu de toda aquela velha opinião formada sobre tudo. Profetizou que ia cair o preço do caos, que ia sair o sol outra vez,que ia sair um "novo gibi". Em inglês disse que era preciso "reformular , reorganizar o jogo no qual você está metido... você tem sua pena, sua guitarra e seu amplificador.... já faz tempo agora que o ultimo revolucionario se foi. Mas quem sabe você não será o proximo a dar continuidade a História?

Era hora de acordar para ver o galo cantar , pro mundo inteiro. Ele queria uma colher de chá no grande jogo de xadrez. Então lançou o novo gibi: o gibi-manifesto "A Fundação Krig-Ha" que anunciava a Sociedade Alternativa e foi considerado material subversivo. Raul cometeu subversão didática ensinando seu publico a fazer estilingue.A polícia de Geisel acho tudo coisa de comunista:"...veio um ordem de prisão do I Exército e me detiveram no Aterro do flamengo. Me levaram para um lugar que eu não sei onde era... tinha uns cinco sujeitos... bom , eu estava.. imagine a situação... eu estava nu com uma carapuça preta que eles me colocaram. E veio de lá mil barbaridades: choques em lugares delicados ... tudo para eu poder dizer os nomes das pessoas que faziam parte da Sociedade Alternativa que , segundo eles , era um movimento revolucionario contra o governo. O que não era. Era uma coisa mais espiritual... eu preferiria dizer que tinha um pacto com o demônio a dizer que tinha parte com a revolução. Então foi isso - me levaram , me escoltaram até o aeroporto..."

Raul foi preso, tomou um pau , foi extraditado e ninguem ficou sabendo de nada na época. Então Raulzito foi dar uma voltinha no exterior para evitar maiores complicações. Os jornais da época falavam que Raul tinha ido pros States bater um papo com Lennon. A História do exílio só estourou nos anos 80, quando se podia falar um pouquinho do que aconteceu na época.

"É lançado o disco "Krig-Ha Bandolo", que além de "Ouro de Tolo continha pérolas como "Metarmofose Ambulante" , "Mosca na Sopa" e "Al Capone" . Os shows acabam por se transformarem em encontros messianicos ou discursos politico-filosoficos nos quais era distribuido o gibi-manifesto "A fundação de Krig-Ha", que divulgava o ideário da "sociedade alternativa"

"Com um grupo de estusiastas , começa a planificação para a sociedade aternativa em realidade no interior de Minas Gerais onde uma grande área fora doada."

"Tudo ia bem até que a policia federal entrou em ação recolhendo os gibis "subversivos" e invadiu a residencia de Raul... Numa busca por evidências da "Sociedade Alternativa" . Foi recolhido , preso e espancado , detido, sofreu vários tipos de torturas, inclusive choques nas partes mais sensiveis do corpo.

No final é exilado nos UEA. Por pouco Raul Santos Seixas não se tornou um corpo anônimo num destes "Jardins Funerários" como o de perus , frutos prolíferos da arbitrariedade ditatorial."

Entrevista com Luisa de Oliveira - 1986

Agora, conta todos os detalhes de sua expulsão do Brasil , em 74 .
Até hoje não sei realmente qual foi o motivo. Mas veio uma ordem de prisão do I Exercito e me detiveram no Aterro do Flamengo. Me levaram para um lugar que eu não sei onde era... tinha uns cinco sujeitos... bom. Eu estava... imagine a situação... Eu estava nu, com uma carapuça preta que eles me colocaram. E veio de lá mil barbaridades: choque em lugares delicados... tudo para eu poder dizer os nomes das pessoas que faziam parte da Sociedade Alternativa, que , segundo eles, era um movimento revolucinário contra o governo. O que não era. Era uma coisa mais espiritual... eu preferia dizer que tinha um pacto com o demônio a dizer que tinha parte com a revolução. Então foi por isso, me escoltaram até o aeroporto...

Sem você arrumar as malas?
Nada, nada. Fiquei aparovado, fui direitinho...

E te largaram lá (nos EUA) , sem mais nem menos?
Sim, ma eu tinha família lá. Eu era casa com uma americana, na época. Sou casado , cinco vezes.

Você não consegue ficar descasado, não é?
Não consigo. Eu gosto de ficar com minha mulher; assistindo ao videocassete. Fico fazendo minhas bombinhas dentro de casa e jogando para fora e dando risada, vendo como estoura lá fora. Não gosto de me expor: Por isso gosto mais de estúdio que de show: Você expõe muito seu corpo num show. Mas oque foi que você perguntou mesmo?

Você tinha chegado aos EUA....
É. Primeiro eu fui cara a Geórgia. Pegamos as coisas de Gloria e colocamos no Cadillac que eu comprei do pai dela. Um Cadillac ano 57, cor-de-rosa , do tempo do Elvis Presley. Atravessamos os EUA inteiro, chegamos até Nova York e fomos morar no Greenwich Village.

Na boca do leão...
Exato. Ali é brabeza. Não sei como eu não morri. Acho que Deus protege os inocentes. Altas hora da noite e eu por dentro daquelas ruelas, na barra-pesada... e aqueles criolões, de chapél para baixo.... e tem uma história que eu nunca me esqueço. Numa dessas "buscas", eu fui parar numa rua sem saída. E lá tinha uma palhaço - bonito, todo vestido pomposamente - comendo lixo. E ele me ofereceu. Fez um gesto assim com a mão para eu comer lixo com ele. Eu fui. Pelo menos o lixo americano é bem mais saudável, tem uma porção de coisas para você comer. E eu fiz a festa. Eu e o palhaço. Eu não ia desrespeitar o cara. Vai que ele era uma paranóico, uma maníaco...

E lá nos EUA você encontro aquele povo todo - John Lennon, Jerry Lee Lewis. Conte como foram esse encontros. Isso acrescentou alguma coisa para você em termos musicais, foi importante ?
O John, eu fui até ele com uma cara, repórter da revista O Cruzeiro. E esse cara se atreveu a perguntar sobre a separação de John e Yoko. O John mandou os grarda-costas dele botar o cara pra fora. Aí eu disse que não tinha nada a ver com isso , que meu assusnto era outro. Ficamos conversando o tempo todo sobre as grandes figuras da humanidade: sobre Jesus Cristo, Einstein, Calígula, Crowley; enfim, figuras que modificaram o rumo da humanidade, basicamente. Aí teve um momento que ele me pergunto: "E lá no Brasil? Quem tem? " Aí eu fiquei todo nervoso e larguei um Café Filho qualquer. E ele: "Heim!?" Eu disse: "Nada, nada. It's all right... não tem ninguem, não". E ficou por isso mesmo.

O Jerry Lee Lewis foi...
Em Memphis, Tennessee. Num lugar chamado Bad Bobs, Bobs malvados. Ele chegou com a gangue dele e eu fui logo malhando o rock morderno e ele gostou. Ele estava cheio de bourbon e até me acompanhou no piano. Eu tinha a gravação até há pouco tempo. Não sei o que ouve . Alguém já deve ter levado daqui.E foi legal, o povo americano aplaudiu, mesmo.

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