JAY VAQUER

PAULO COELHO

Raul Seixas conheceu Paulo Coelho através de um artigo que este esreveu sobre discos voadores na revister undeground 'A Pomba'. O Artigo chamo a atenção de Raul, que procurou Paulo Coelho para levar um papo. Deste encontro surge um relacionamento marcado por choques de personalidades, "se estivé ssemos de pleno acordo o tempo todo, nosso trabalho resultaria numa coisa bacaca, e ficaríamo um escovando os dentes do outro" , declararia Raul.

Paulo foi parceiro de Raul nos LPs Krig-Ha , Bandolo! , Gita , Novo Aeon, Há Dez Mil Anos Atrás, que vão de 73 a 76. Tentam novamente a parceria no LP Mata Virgem, em 78, e chegam a conclusão de que este é um casamento que já não tem mais como dar certo. Com Coelho, Raul vive a faze da Sociedade Alternativa, idéia dos dois , o exílio político.

A intenção de Raul sempre foi atingir a todos os públicos. Paulo Coelho tinha um "bom papo", um "bom nível" e trasmitia informações interessantes a Raul, principalmente sobre a magia e o misticismo, que era o grande lance dele , na época. Paulo Coelho também fazia parte de uma "panela" de intelectuais que acreditava que a música não tinha nada a ver com seus ideais e que ela nunca poderia ser um veículo para eles. "Caroço de Manga" foi a primeira musica que fiz com Raul, minto , não fiz; ele fez e colocou meu nome pra me invertivar" , declararia Paulo Coelho anos mais tarde.

Sobre seu relacionamento com "Dom Paulete", Raul definiu: "eu digo que tinha um briga cultural com ele , pra ver quem ganhava. Eu era o melhor amigo do inimigo e vice-versa. Com o passar dos anos, houve um desgaste. Mas sempre foi uma boa parceria, com afinco, e saíram obras lindíssimas como "Canto Para Minha Morte" , "Ave Maria De Rua" , "Meu Amigo Pedro" , "Tente Outra Vez...".

Sobre a separação, quase nada foi dito por nenhum dos dois. Raul continuou sua música. Paulo Coelho, após a fase negra da Sociedade Alternativa , aderiu ao monstro Sist. Vestiu terno e gravata e foi trabalhar como produtor na Polygram, transformando-se depois no escritor "fenômeno" que conhecemos.

O famoso encontro de Raul Seixas e Paulo Coelho Sob a trilha sonora de um disco voador:

Já contamos como foi realmente o encontro de Raul e Paulo , mas quando a dupla apareceu em público, trouxeram com eles a história de um disco voador. Vamos reproduzir aqui mais ou menos como foi a história:

Como você conheceu Paulo Coelho?
Foi na Barra da Tijuca, às cinco horas , numa tarde em que eu estava lá meditando. Paulo também tava meditando , mas eu não o conhecia. Foi no dia que nós vimos o disco voador.

Você sabe dizer quando foi isso?
Foi depois que eu me apresentei no FIC.

Dá pra descrever o disco?
Dá sim. foi... era meio assim.. prateado. Mas não dava pra ver nitidamente o prateado porque tinha uma aura alaranhada , bem forte. Mas enorme, entre onde eu estava e o horizonte. Ele tava lá parado, enorme. O Paulo veio correndo , eu não conhecia ele, mas ele disse: "Cê ta vendo oque eu tô vendo?" Agente ái sentou, o disco sumiu num ziguezague incrível.

Quanto tempo durou mais ou menos?
Uns dez minutos, aí ele foi embora. O Paulo chegou e nós começamos a converasar , sentados. Foi como se agente tivesse feito uma viajem no próprio disco . E vendo a problemática toda do planeta... Não foi alucinação , ou resultado da meditação. Ele estava lá , palpável.

Reprodução baseada numa entrevista concedida por Raul a Pesquim , em novembro de 73.

A história, sem dúvida alguma, é fantástica, e a imprensa adorou. Divugol-se até de uma forma maldosa, colocando Raul como uma espécie de místico, abordando o lado sensacionalista da coisa: o cara que viu disco voador, "O Profeta do Apocalipse".

CLAUDIO ROBERTO

Cláudio Roberto é um cara verdadeiramente "maluco beleza". Mora em Miguel Pereira , no Rio de Janeiro, longe da suposta civilização criando gato, cachorro , galinha.... Raul Seixas já o conheceu neste contexto, com um porém: Cláudio Roberto tinha pilhas e pilhas de coisas escritas. Porém, quem conheceu Cláudio afirma de poema , sem parar nunca... sem estrofe, sem nada; escreve tudo em versos com a rima certa e coisa e tal... "Para Raul, aquilo foi um "choque" . ele começou a ler e virou: "Isso aqui dá música", e Cláudio Roberto : "então pega o violão e põe a melodia aí".

Um ponto interessante sobre essa parceria é a canção Maluco Beleza, um dos hinos raulseixinianos, mas que foi escrito por Cláudio Roberto e não por Raul. Sylvio Passos nos conta a história: O Cláudio Roberto tinha um texto já escrito que era mais ou menos a letra do Maluco Beleza. Quando Raul viu aquilo , ouve uma identificação muito grande entre Raul e aquele texto, 'pô , você está falando de mim aqui..' Raul viu , mexeu aqui , tirou ali, acrescentou lá, pimentinha baiana, ... , misturou , mexeu: pegou a viola , pôs a melodia e fez uma das melhores e com mais sucesso músicas dele.

MARCELO NOVA

Marcelo Nova fala de sua relação com Raul Seixas e da polêmica na qual dizem que ele é o herdeiro de Raul.

"Eu vejo muito pontos em comum entre minha obra e a de Raul , mesmo porque ele foi o único artista brasileiro que me influênciou. Agora , herdeiro de Raul Seixas, bicho... A capacidade que ele tinha de se comunicar com todas as classes sociais, a dimensão de sua obra registrada em vinte e tantos LPs, não deixam herdeiro. É o mesmo que perguntar de Muddy Waters tem herdeiro. Jonny Winter tocou, produziu um disco com Muddy, foi guitarrista solo de sua banda , participou de turnê com ele , mas é outra coisa. Existem certos artistas que , pelo tempo que surgiram e agiram, se tornaram únicos. (...) Com os grandes não tem esse papo de herdeiro(...) É talento , e talento não se dimensiona. Tenho por Raul a maior admiração, o maior respeito e sinto que , devido a influência que ele me exerceu sobre mim , temos vários pontos em comum, embora eu seja um existencialista e ele um místico (..) quem se declarar herdeiro de Raul seixas e picareta, aproveitador e oportunista. Eu sempre vou gravar músicas de Raul Seixas , é uma parte da minha vida. (...) Estas afinidades e influências existem e vão continuar existindo, enquanto eu estiver vivo. Agora , declarar ser o representante na Terra De Raulzito no céu, é muito oportunismo. Respeito Raul demais para cometer isso. " (entrevista a Luiz Cláudio Garrido, revista Bizz, publicada em dezembro de 89).

O PRIMEIRO CONTATO
"Isso foi na Bahia. Quer dizer, naquela época eu ouvia Beatles, Rolling Stones, vinha tudo de outro continente, né? Aí eu descobri que existia um tal de Raulzito e uma banda, Os Panteras. Eu fui lá ver e aí me apareceu essa figura vestida de couro e de topete. Eu olhei e disse: um dia quero ter uma banda. Foi esse o primeiro contato ao vivo"

(Entrevista a Jô Soares, juntamente com Raul Seixas, em 89)

"Eu ia ver os shows dele na Bahia, na época de Raulzito e Os Panteras e depois das apresentações ia até o palco aperta a mão dele, ele nem me conhecia." , lembra Maceleza. Mais tarde, quando ele e o Camisa de Vênus estavam tocando no Circo Voador (Rio de Janeiro), Raul Seixas foi ver a apresenteção. "Chamei Raul para o palco e nós tocamos, na base do improviso, um medley de rock`n`roll misturando "Long Tall Sally" com "Be-Bop-a-Lula" e "TuttiFrutti" . Eu estava tão emocionado que não conseguia cantar nada, só ficava olhando." Novo contato é feito em 84, quando Marceleza vai ver o último espetáculo de Raul em São Paulo, na canceteria Raio Laser, no final do show, Marcelo Nova foi comprimentar Raul e se aproximaram, trocando endereços. "Para minha surpresa , num domingo , às onze horas da manhã, Raul, Toni Osanah e suas respectivas esposas batem na minha porta. Eu fiquei sem acreditar." Já em 86, o Camisa de Vênus regrava a música "Ouro de Tolo" e , no dia seguinte, Raul participa do LP Duplo Sentido do Camisa de Vênus, dividindo vocais e parceria com Marcelo Nova, na canção "Muita estrela Pra pouca Constelação" , "eu compus a letra e ele a música. Aí não parou mais , até chegar setembro do ano passado , quando ele teve mais uma crise de saúde e estava numa situação financeira muito ruim, pelo fato de estar cinco anos sem trabalhar."

COMEÇAM OS SHOWS JUNTOS
"Nesse paronama, Marcelo Nova convida Raul a fazer uma apresentação na Bahia. Ele gostou do resultado, eu também e combinamos de fazer mais dois ou três espetáculos, que acabaram virando ciquenta"

PROCESSO DE COMPOSIÇÃO ENTRE ELES
"Era misturado , ele interferia na minha composição e eu na dele, não tinha esse de dizer: tenho uma letra, bote a música. Foi um trabalho feito nem parceria mesmo. Eu o definiria como um disco de rock`n`roll (A Panela do Diabo). Dois homens de meia-idade não poderiam fazer de conta a essa altura do campeonato".

A PANELA DO DIABO
"Este é um disco absolutamente dentro da minha discografia. ele é mais do que nunca um disco meu, embora ele não tenha sido só meu. É um trabalho de Marcelo Nova com alguém que muito determinou em sua carreira musical. E um trabalho do qual sou muito orgulhoso. Primeiro pela concretização de um sonho pessoal. Depois , porque Raul Seixas nunca gravou um disco com ninguém, tá certo? Eu estou falando de Raul Seixas... me sinto previlegiado".


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